Tratamento das fraturas osteoporóticas

Nas últimas décadas, a expectativa de vida da população brasileira aumentou de 69,83 anos em 2000 para 74,5 em 2016, aumentando também o risco de fraturas osteoporóticas, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esse salto se deve à qualidade de vida e ações de prevenção e tratamento de doenças. Entretanto, com o envelhecimento populacional, surge também um crescimento na prevalência de doenças degenerativas, dentre elas a osteoporose e a sarcopenia.

A fratura de fêmur é a consequência mais temida da osteoporose, associando-se a elevada morbidade e mortalidade. A taxa de mortalidade durante a internação causada pela fratura foi de 6,3% em média (10,2% para os homens e 4,7% para as mulheres) enquanto a mortalidade no ano subsequente à fratura atingiu 30,8% (37,5% homens e 28,2% mulheres).

Os maiores fatores preditivos de mortalidade pós-fratura foram em ordem decrescente de risco: mal nutrição, insuficiência renal, pneumonia, malignidade pré-existente e infarto do miocárdio prévio. Portanto, deve-se ter maior atenção ao paciente com alto escore de fatores de risco, especialmente o tratamento anti-osteoporose.

O médico que acompanha o paciente deve explicar a importância do tratamento para evitar novas fraturas e o paciente deve ser motivado a manter vigilância da doença.

Embora essa conduta pareça óbvia, constata-se que a maioria dos pacientes que sofreu fratura de fêmur não inicia tratamento específico, mesmo tendo outros riscos de fraturas osteoporóticas, até porque apenas 6 a 10% dos pacientes são orientados para tal no momento da alta. Existe um fato surpreendente que 40% dos pacientes internados por fratura de fêmur não relacionavam a fratura à osteoporose.

É necessário abordar o paciente ainda durante a internação para correção da fratura de fêmur e fazer explanação sobre o assunto, pedir densitometria e iniciar tratamento.

Em nossa experiência, mesmo pacientes com direito a plano de saúde, que realizam densitometria óssea e frequentam consultórios médicos precisam ser melhor instruídos sobre a necessidade de manter medicamentos por longo prazo para sua osteoporose ou não conseguiremos diminuir as taxas de fratura e, consequentemente, os gastos decorrentes.

fraturas osteoporóticas

Tratamento das fraturas osteoporóticas

Causas das fraturas osteoporóticas

Cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com a osteoporose e tem risco de fraturas osteoporóticas, doença silenciosa que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea, que provoca o aumento do risco de fraturas. Punho, coluna vertebral e fêmur costumam ser as partes do corpo mais afetadas pela doença e pelas fraturas osteoporóticas.

Mulheres são as maiores vítimas, mas não são as únicas!

A deficiência de estrogênio, hormônio feminino, provoca a fragilidade óssea das mulheres no período pós-menopausa. A incidência de osteoporose em mulheres é o dobro do que em homens. Estima-se que 30% das mulheres com mais de 65 anos sofram com a doença e são mais acometidas pelas fraturas osteoporóticas.

Fratura de rádio distal

A fratura do rádio distal (osso que se estende pela parte lateral do antebraço e vai do cotovelo até o punho) é a mais comum do punho. Esse tipo de fratura representa, aproximadamente, um sexto de todas aquelas do corpo humano e geralmente ocorre em quedas nas quais há impacto no punho. A maior incidência é em mulheres na fase de pós-menopausa.

Em um paciente da terceira idade, os ossos mais frágeis se quebram em pedaços maiores e há um desvio maior entre os fragmentos. A baixa qualidade óssea ocasionada pela osteoporose torna mais difícil o tratamento.

Geralmente, este é feito pelo método convencional, com imobilização com gesso por aproximadamente dois meses.

A cirurgia tem critérios para a indicação, como tipo de fratura, nível de fragmentação do osso e quadro clínico do paciente.

Na cirurgia podem ser utilizadas técnicas como o uso de fios de Kirschner (fios metálicos), fixadores externos ou, mais recentemente, de placas volares com estabilidade angular.

Fratura de quadril

As fraturas de quadril são preocupantes; 80% dos que fraturam os quadris tornam-se incapazes de executar pelo menos uma atividade diária, 40% perdem a capacidade de andar sozinho, 30% tornam-se incapazes permanentes e 20% dos pacientes morrem em menos de um ano.

Podem ser do colo do fêmur, transtrocanterianas ou subtrocantéricas. Cada uma tem características próprias e implantes específicos para serem utilizados.

Se uma fratura vier a acontecer, o tratamento deve ser cirúrgico, pois esta é a forma com maior chance de recuperação, após cuidadosa avaliação pré-operatória. Fatores como hemoglobina, creatinia e albumina devem verificados e doenças pré-existentes controladas para realização do procedimento com segurança.

Fratura da coluna

A fratura da coluna vertebral por osteoporose pode além da dor incapacitante, causar deformidades na coluna que pode ser progressiva ou não e em casos mais dramáticos estar associada a alterações neurológicas.

O principal diagnóstico diferencial destas fraturas são lesões tumorais da coluna, preferencialmente as metástases. Caso haja dúvida no diagnóstico a biopsia da vértebra torna-se fundamental.

O tratamento conservador é a rotina com uma boa taxa de sucesso. O paciente deve ser orientado a permanecer em repouso relativo, deve-se usar analgésicos fortes evitando o uso de anti-inflamatórios e deve-se usar coletes do Jewett. O tratamento medicamentoso da osteoporose também é fundamental.

O tratamento cirúrgico esta indicado nos casos em que o paciente permanece com dor mesmo após 6 semanas de tratamento conservador adequado, nos casos em que a deformidade progressiva da coluna em cifose e nos casos de alterações neurólogicas.

Entre as técnicas percutâneas utilizadas para este tipo de cirurgia estão a vertebroplastia e a cifoplastia. Ambas consistem na introdução de uma cânula de maneira percutânea até a região do corpo vertebral fraturado e pelo interior desta cânula a a injeção de cimento ortopédico de rápida consolidação.

O período pós-cirúrgico nas fraturas osteoporóticas

Ao realizar o tratamento para as fraturas osteoporóticas, o ortopedista não recomenda que o indivíduo fique totalmente imóvel.

Durante o tratamento das fraturas provenientes de osteoporose, os pacientes devem permanecer em repouso para a consolidação da fratura, mas não acamados, porque o sedentarismo causa outros problemas, além de fazer fisioterapia em clínica especializada em idoso de Brasília / DF, a Salus Ortopedia e Fisioterapia.

Por outro lado, aqueles sem fraturas devem realizar atividades físicas, como o pilates ou a musculação, como parte do combate à doença.

Perguntas Frequentes:

Quem tem maior risco de desenvolver sarcopenia ou osteoporose?2023-06-11T00:19:30-03:00

Mulheres, principalmente se tiver menopausa precoce; Baixa massa corporal (pessoas muito magras); Histórico familiar de fratura por osteoporose; Tabagistas; Sedentários; Doenças que atrapalham o metabolismo ósseo (ex.: artrite reumatoide, doenças renais, doenças pulmonares, etc.); Uso de corticoides (ex.: prednisona, metilprednisolona) por mais de 3 meses; Alcoólatras; Má nutrição.

Como prevenir lesõe causadas pela osteoporose e sarcopenia?2023-06-11T00:18:21-03:00

Para prevenir a osteoporose e a sarcopenia e as fraturas decorrentes dessas condições, a primeira coisa é se conscientizar sobre a doença e os hábitos que tem de adotar: Alimentação variada, com boa oferta de proteína, cálcio e demais nutrientes; Prática sistemática de atividade física; Exercitar o intelecto: pessoas mais ativas intelectualmente se tornam idosos mais ativos e menos propensos a sofrer fraturas por osteoporose; Evitar abuso de álcool; Não aderir ao tabagismo ou para de fumar; Controle do ambiente para minimizar quedas.

Qual o tratamento para osteoporose e as fraturas decorrentes dela?2020-12-30T15:31:03-03:00

O principal ponto do tratamento da osteoporose é seguir as recomendações de prevenção, pois nunca é tarde para aderir a hábitos de vida saudáveis. Dentre eles, a prática de atividade física é o hábito de maior impacto positivo para prevenir fraturas. Além disso, tomar sol diariamente e alimentação regular e adequada. Caso ocorra a fratura,  segue o mesmo tratamento em qualquer idade, com algumas diferenças:

  • tratamento conservador: aceita mais graus de desvios e deformidade para evitar um procedimento operatório, com uma perda de função moderada, que se mantem ainda funcional para as ativdades exercidas pelo paciente.
  • tratamento operatório ou cirúrgico: deve se tomar cuidado na escolha do implante, que tem de ser especial, com uma fixação mais estável do osso. Em relação a saúde do paciente, é fundamental uma avaliação pré-operatória, particularmente os que necessitam de cirurgia de urgência, na tentativa de reduzir os riscos, podendo aguardar alguns dias para a operação, estabilizando o paciente e preparando tudo para a realização do procedimento com segurança, como avaliação da função renal, disfunções hormonais (controle da glicemia é muito importante), das séries sanguíneas, alterações nutricionais (exemplo: albumina sérica no pré-operatório é um forte preditor de complicações nos primeiros 30 dias de pós-operatório), etc. Saiba mais com detalhes aqui >
Quais os locais mais comuns de fratura decorrentes da osteoporose?2020-12-30T15:18:03-03:00

Coluna vertebral (vértebras torácicas e lombares principalmente); Quadril: fratura do colo do fêmur e região transtrocanteriana (também chamada de intertrocantérica ou pertrocantérica); Punho: fratura do rádio distal.

Eu tenho osteoporose ou artrose?2023-06-11T00:17:04-03:00

Ambas são doenças tipicamente dos idosos, embora possam ocorrer também em pessoas mais jovens. Porém, enquanto a osteoporose é uma doença silenciosa, a artrose é uma doença dolorosa desde o início. A osteoporose é a deficiência na arquitetura dos ossos, que se tornam menos resistentes. A artrose, por sua vez, é o desgaste da cartilagem que recobre os ossos. Portanto, a osteoporose é uma doença do osso, ao passo que a artrose é uma doença da articulação.

[jetpack-related-posts]

2024-01-27T18:15:12-03:00

Sobre o Autor:

Dr. Márcio R. B. Silveira, formado em 2006 pela faculdade federal de medicina da Universidade de Brasília (UnB), com especialização, no ano de 2009, em Traumatologia e Ortopedia pela residência da SES / DF, com subespecialização, no ano de 2012, em cirurgia do joelho e trauma esportivo em Belo Horizonte / MG, acompanhando os médicos do Cruzeiro Esporte Clube nos hospitais Maria Amélia Lins, Lifecenter, Belo Horizonte, Belvedere e João XXIII. Médico ortopedista especialista em Traumatologia com foco em Esportiva (ombro, quadril, tornozelo, pé, cotovelo), Cirurgia do Joelho, Adulto e Infantil, e Ortopedia do Idoso em Brasília / DF.

Deixar Um Comentário

Ir ao Topo