Continuar tomando medicações para outras patologias, se porventura já faz o uso, antes da cirurgia, conforme orientação do cirurgião, com muito pouca água.

Exceção para anticoagulantes (o cirurgião vai avaliar a substituição pelo clexane ou marevan antes do procedimento operatório, que tem meia-vida baixas), antiplaquetários (AAS, clopidogrel = tem de parar 5 dias antes), hipoglicemiantes orais (parar 24h antes do procedimentos) e outras medicações que tem de ser avaliadas, caso-a-caso.

Leve para o hospital uma lista com os seus medicamentos e a dose utilizada diariamente.

Não é necessário raspar os pelos do corpo antes da cirurgia.

Trazer todos os exames pré-operatórios no dia da cirurgia, inclusive radiografias e outros da sua doença, Carteirinha do convênio e RG ou CNH.

Não comer nada nas 8 (oito) horas que antecedem a sua cirurgia. Jejum absoluto (nem água).

Apresente-se com duas horas de antecedência na recepção do hospital para internação. Você aguardará no quarto até o momento da cirurgia.

 

Dr. Márcio Silveira: Ortopedista Especialista em Traumatologia Esportiva, Joelho - Adulto e Infantil - e Idoso dias antes cirurgia

Preparativos para a cirurgia

Há uma série de coisas que você pode fazer antes da sua cirurgia:

  • Diga a sua família e amigos que você será submetido a uma cirurgia e talvez precise da ajuda deles durante a sua permanência no hospital e após a sua alta para casa.
  • Organizar o transporte de ida e volta para o hospital no dia da sua cirurgia.
  • Você pode não ser capaz de dirigir por algum tempo, então planeje sua locomoção.
  • Vai necessário algum tipo de imobilização (tipoia, tala ou joelheira)? Auxílio (andador, muletas – podem ser alugadas), cadeira higiênica (pode ser alugada) ou assento elevado? Meias de compressão?

Cirurgia de artroplastia (prótese)

  • andador por um período de 45 dias;
  • cadeira higiênica por um período de 30 dias;
  • assento elevado para ser utilizado após dispensar a cadeira higiênica.

Preparação pessoal

  • Remover esmalte das unhas das mãos e pés;
  • Retirar barba;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de fumo, pelo menos 24h antes da intervenção cirúrgica;
  • Remover os piercings, lentes de contato, relógios e joias, incluindo aliança de casamento;
  • Se você for submetido a cirurgia de manhã e tiver alta no mesmo dia, deve pedir a alguém para levá-lo para casa e ficar com você a primeira noite após a cirurgia;
  • Evacuar pelo menos 01 vez no dia anterior, caso não ocorra, avisar a enfermagem.

Quando não é uma cirurgia no quadril, ginecológica ou urológica, e também não sendo necessário retirar enxerto da bacia, pode ser comprado roupas sem plástico ou metal para utilizar durante a cirurgia, caso queira, em lojas de material hospitalar.

Dr. Márcio Silveira: Ortopedista Especialista em Traumatologia Esportiva, Joelho - Adulto e Infantil - e Idoso roupas para cirurgia scaled 1

Consulta ao cardiologista

Pacientes com menos de 35 anos, sem comorbidades, somente exame de sangue básico, na semana da cirurgia, que deve levar no dia da operação.

> 35 anos ou portador de comorbidades: consultar seu cardiologista para uma avaliação de rotina. Ele verificará a pressão arterial, solicitará exames de sangue e um eletrocardiograma de seu coração. Isso evitará que sua cirurgia seja adiada por causa de algum problema de saúde não tratado ou instável.

Outros especialistas

Se você faz acompanhamento com algum especialista, como por exemplo, um hematologista, é importante consultá-lo e avisar que você será submetido a
uma cirurgia. Isto lhe dá tempo para organizar os testes e certificar-se que você pode prosseguir de forma segura, com a sua cirurgia.

Tipos de anestesia

Toda cirurgia requer alguma forma de anestesia. Tanto a anestesia quanto a cirurgia tem alguns riscos. Felizmente, são muito raros. Existem duas categorias principais de anestesia:

ANESTESIA GERAL

Com anestesia geral, vários medicamentos são dados através de seu acesso intravenoso para “colocá-lo para dormir”. Você está inconsciente durante a cirurgia. Um tubo de respiração é colocado em sua garganta e você está conectado a uma máquina de respirar. Após a cirurgia, o tubo de respiração é removido quando você está respirando por conta própria novamente. Então, você será levado para a Sala de Recuperação Anestésica.

Quais são os riscos de anestesia geral?
– Ligeira irritação na garganta que dura de 1 a 3 dias.
– Danos nos dentes ao colocar ou retirar o tubo de respiração.
– Náuseas ou vômitos, que podem durar 1 ou 2 dias.
– Confusão ou perda de memória, particularmente em pessoas mais idosas.
– Aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões.
– Extremamente Raros: reações alérgicas, inconsciência, danos nos nervos e morte.

ANESTESIA REGIONAL

A anestesia regional é usada para bloquear a sensação de uma determinada parte do seu corpo. Incluem raquianestesia e / ou bloqueios nervosos. Ao ter a anestesia regional, você pode optar por ficar acordado. Você também pode optar por receber medicação intravenosa para dormir. Isto é chamado de “sedação”, neste caso, você não vai ver ou sentir a cirurgia ocorrendo. Seu anestesiologista pode também ajustar a sua medicação para reduzir a chance de você ouvir alguma coisa durante a sua cirurgia. Por favor, discutir isso, se é uma preocupação.

Dr. Márcio Silveira: Ortopedista Especialista em Traumatologia Esportiva, Joelho - Adulto e Infantil - e Idoso anestesia regional scaled 1

Raquianestesia

Com a raquianestesia , é injetado próximo da medula espinhal e os nervos que a ela se ligam. Este “congela” os nervos para que você não tenha sensação ou movimento nas pernas ou quadris. Esta dormência dura de 4 a 6 horas. A anestesia espinhal é adequada para cirurgias na metade inferior do corpo, como
cirurgia do quadril ou do joelho.

Benefícios da Raquianestesia:
– Menos náusea e vômito
– Recuperação mais rápida
– Melhor controle da dor após a cirurgia
– Menos perda de sangue durante a cirurgia
– Diminuição da incidência de coágulos sanguíneos após cirurgia

Riscos de Raquianestesia:
– Dor de cabeça com duração de 2 a 7 dias (cefaleia pós-raquianestesia: menos de 1 chance em 100)
Queda leve da pressão arterial na sala de cirurgia.
A incapacidade de esvaziar a bexiga (retenção urinária), especialmente em
homens idosos com problemas de próstata, de resolução espontânea em 24 horas.
Extremamente raro: paralisia, danos nos nervos e morte.

Anestesia Peridural

No bloqueio peridural um cateter é injetado dentro do espaço peridural, na região lombar, para administrar a medicação que aliviará a dor, anestesiando a parte inferior de seu abdômen e o canal vaginal. Um dos principais benefícios da peridural é poder injetar mais medicação de acordo com a dor.

Pode levar de 10 a 20 minutos para a injeção peridural começar a funcionar e a medicação injetada pode ser ajustada ou aumentada conforme o necessário para que você se sinta confortável.

Benefícios da anestesia peridural:

  • Remove a dor.

Riscos da anestesia peridural:

  • queda de pressão
  • dores de cabeça
  • coceira
  • dor nas costas após o procedimento

Bloqueios Nervosos

A anestesia local é injetada perto dos nervos do local da cirurgia. Isso adormece o seu membro. Ele também oferece até 24 horas de controle da dor pós-operatória. Bloqueios nervosos podem ser usados para pacientes com problemas no ombro, braço ou mão, bem como numa cirurgia de joelho, tornozelo ou pé. A maioria das pessoas não se lembra de terem recebido o bloqueio do nervo porque primeiramente é administrada uma medicação para relaxar e/ou sedá-lo.

O anestesiologista usará equipamentos especiais, tais como um estimulador de nervo para localizar os nervos. Quando o bloqueio do nervo está sendo colocado no lugar, você vai sentir alguns movimentos involuntários, que são normais, e nos mostram que estamos no lugar certo. Então, injetará o anestésico local. Neste momento você vai sentir um desconforto e uma sensação de formigamento quente. Seu membro se tornará fraco, pesado e dormente.

Benefícios de bloqueios nervosos:
Reduz a quantidade de medicação necessária para dor.
Diminui os efeitos colaterais associados com a outra medicação para a dor, tais como náuseas e sonolência.
Proporciona alívio da dor de longa duração para até 24 horas com o mínimo de efeitos colaterais.

Riscos de bloqueios nervosos:
Menos de 1% dos pacientes têm sensação de “alfinetadas e agulhadas” na área, que podem durar de 3 a 4 semanas; lesão permanente do nervo é extremamente raro.
Muito raramente, a anestesia local pode ser injetada na corrente sanguínea, causando zumbido nos ouvidos e um gosto metálico na boca – estes sintomas não são prejudiciais e, em breve passam, mas, por favor, avise o anestesista se você experimentá-los.

Controle da cefaléia pós-raquianestesia >

Adoecimento antes da cirurgia

Se você desenvolver, gripe ou sintomas gástricos (como vômitos, diarreia) antes da cirurgia, por favor, ligue para a secretária do seu médico. Se a cirurgia precisar ser adiada por causa de doença, faremos todos os esforços para agendar uma nova data cirúrgica com prioridade. Se estes sintomas ocorrerem no final de semana antes de uma cirurgia, por favor ligue para o hospital na segunda-feira.

No dia da cirurgia

  • Medicamentos atuais em suas embalagens originais;
  • Roupas confortáveis e folgadas (exemplo: roupa de ginástica, moletom etc.), sapatos com sola antiderrapante;
  • Os dispositivos auxiliares que você pode precisar e já têm, como uma tipoia, muletas ou bengala(s).

Preparativos

A equipe de enfermagem vai reunir-se com você e prepará-lo para cirurgia. Eles vão atualizar o seu histórico de saúde e rever os seus medicamentos. Sua pressão arterial, pulso e temperatura serão analisadas e um acesso intravenoso será iniciado no seu braço.
Você marcará o local da cirurgia.
A duração da cirurgia varia dependendo do procedimento cirúrgico.
Após a cirurgia, você será levado para a sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA), onde será monitorado e encaminhado ao quarto após a alta do anestesista.

Após a alta

Administração de medicamentos regulares prescritos após a alta.
Retomar os seus medicamentos de uso regular, a não ser que tenha indicações contrárias.

Complicações e efeitos colaterais nos procedimentos operatórios

Há um pequeno risco de desenvolver complicações como em todas as cirurgias e anestesias. Estas complicações podem se desenvolver por causa de problemas de saúde, a anestesia ou procedimentos cirúrgicos em si.

Embora a probabilidade de complicações seja baixa, sua equipe cirúrgica fará todos os esforços para minimizar o risco, tanto quanto possível.

Dr. Márcio Silveira: Ortopedista Especialista em Traumatologia Esportiva, Joelho - Adulto e Infantil - e Idoso cefaleia pos raqui

  • Cefaleia pós-raquianestesia é uma dor de cabeça aguda que ocorre logo após a tomada das anestesia raquidiana. O tratamento é simples e consiste basicamente em repouso. Com a paciente deitada, o uso de medicação antiinflamatória, corticoides e muita hidratação, fará com que a cefaleia desaparece em pouco tempo.
  • A infecção é uma complicação possível após a cirurgia. O risco de infecção é reduzido por meio de técnica cirúrgica cuidadosa. Antibióticos intravenosos antes e após a cirurgia também podem ser usados, dependendo da sua cirurgia. Cuidados adequados com a ferida operatória.
  • Complicações Respiratórias (problemas respiratórios), tais como pneumonia, pode ocorrer após a cirurgia. É importante fazer vários movimentos de respiração profunda e tosse. Estes exercícios, realizados várias vezes por dia após os primeiros dias de cirurgia, ajudam a fornecer oxigênio para os pulmões e mantêm suas vias aéreas limpas. Sentar-se, sair da cama o mais cedo possível e ser ativo também ajudam a prevenir problemas respiratórios.
  • Complicações cardiovasculares (problemas cardíacos) podem ocorrer devido à estresse da cirurgia. A cirurgia coloca uma carga de trabalho adicional sobre o coração. Em pacientes com doença cardíaca conhecida, isto pode aumentar o risco de desenvolvimento de batimentos cardíacos irregulares, dor no peito ou, muito raramente, ataque cardíaco. Estas complicações podem ocorrer em pacientes sem problemas cardíacos.
  • Trombose Venosa Profunda (TVP) são coágulos de sangue que podem se desenvolver nas veias profundas das pernas após a cirurgia. Isso é muitas vezes associada à falta de movimento. Atividade precoce é importante. Mover seus tornozelos para cima e para baixo várias vezes após a cirurgia. Isto é chamado de “bombeamento do tornozelo”. Você também deve apertar e soltar o músculos das pernas. Estes exercícios promovem a boa circulação. Anticoagulantes (diluidores sanguíneos) também podem ser utilizados para prevenir a formação de coágulos sanguíneos dependendo da sua cirurgia e histórico de saúde.
  • Embolia pulmonar pode ocorrer quando os coágulos de sangue das veias profundas em suas pernas ou do quadril se soltar e ir até o seu pulmão. Se o coágulo é grande o suficiente, a circulação de sangue para os pulmões pode ser cortada. Esta é uma complicação grave.
  • Problemas urinários tais como dificuldade em urinar, podem acontecer após qualquer tipo de cirurgia. Às vezes, um cateter (sonda de alívio) é introduzido na bexiga para drenar a urina. O cateter pode ser deixado no local por um alguns dias ou removido imediatamente após a bexiga ter sido esvaziada. Avise a enfermagem caso esteja com dificuldade de urinar.
  • Náusea é comum após a cirurgia. A medicação pode ser dada para resolver o problema, avise a enfermagem se você estiver enfrentando esse sintoma.
  • Prisão de ventre é comum e uma complicação potencialmente grave que pode ocorrer devido à medicação para a dor, atividade reduzida e desidratação. Prisão de ventre pode agravar outras condições médicas. Um alto teor de fibras na dieta, probióticos e a realização de atividades físicas são importantes para ajudar a promover regularmente evacuações.
  • Controle da dor pós-operatória >
  • Uso correto de muletas >

Considerações pré-operatórias no paciente idoso

A atenção a pacientes idosos submetidos à cirurgia ortopédica, particularmente os que necessitam de cirurgia de urgência, deve levar em conta a análise da capacidade física e de riscos específicos dos indivíduos idosos, na tentativa de reduzir riscos que, no entanto, permanecem elevados neste grupo. Apesar dos riscos, procedimentos desenvolvidos com prontidão têm efeito positivo na evolução destes pacientes.

A cirurgia ortopédica vem se tornando mais frequente e mais complexa. O desenvolvimento técnico de próteses, equipamento e tecnologia anestésica e controles perioperatórios somam-se às mudanças etárias da população transformando em rotina o que era exceção até a poucos anos: cirurgias ortopédicas de grande porte em pacientes idosos.

A própria condição clínica pré-operatória pode variar conforme o tipo de afecção do paciente. Não há como comparar o paciente avaliado no consultório/ambulatório no preparo de uma cirurgia eletiva ou mesmo de grande porte, como as próteses totais de quadril ou joelho, com aquele atendido no pronto atendimento em condição cirúrgica de urgência após uma fratura ou trauma.

Pode ser uma situação de urgência, tem de ser feita rápido, mas uma avaliação pré-operatória criteriosa antes de submeter o idoso a uma intervenção invasiva é necessária para uma procedimento seguro, podendo postergar por alguns dias a operação, e esperar controle clínico de condições pré-existentes e avaliação médica especializada.

> 40 lições das pessoas que nunca adoecem

Limitações funcionais preexistentes

Há uma perda funcional progressiva em diversos sistemas orgânicos que vão se acumulando no decorrer dos anos.

Dr. Márcio Silveira: Ortopedista Especialista em Traumatologia Esportiva, Joelho - Adulto e Infantil - e Idoso perda funcional idoso

Transfusão de sangue

Na avaliação pré-operatória eletiva, níveis abaixo de 11g% de hemoglobina em idosos merecem investigação e, se necessário, reposição. De qualquer maneira, parece ser consenso que pacientes acima dos 50 anos ou portadores de cardiopatias nunca devam ser encaminhados à cirurgia com níveis de hemoglobina inferiores a 10g%. Quanto à forma de reposição, o fornecimento de papa de hemácias durante o procedimento ou logo após a realização do mesmo parece ser a mais efetiva.

Entretanto, é cada vez mais aceito que a infusão de glóbulos vermelhos leva à diminuição da imunidade em pós-operatório e há aumento de infecções em pacientes submetidos à cirurgia do colo do fêmur que receberam transfusões.

Recomenda-se que sejamos mais tolerantes com o nível de hemoglobina em pacientes não coronariopatas, mas estejamos atentos, pois o idoso pode apresentar isquemia silenciosa (diabéticos, hipertensos e portadores de vasculopatia periférica).

Alterações renais e urológicas

Os medicamentos potencialmente nefrotóxicos, como os aminoglicosídeos ou os anti-inflamatórios não hormonais, devem ser evitados, bem como os contrastes iodados e gadolínio. A hidratação é fundamental no pós-operatório até que a ingestão por via oral esteja bem estabelecida.

Pacientes frágeis com creatinina sérica acima dos 2mg% é manter-se o contato com a equipe de nefrologia do hospital, em uma “vigilância armada” para eventual intervenção dialítica caso necessário.

Entre os idosos são comuns os casos de hipertrofia prostática e/ou bexiga de esforço com dificuldade de urinar no pós-operatório. Não é infrequente o aparecimento de “bexigoma” que necessita de passagem de sonda vesical de alívio e/ou demora. Tal situação pode ser particularmente comum em pacientes que tenham recebido anestesia regional (peridural ou raquianestesia) com uso de morfina, que podem levar à retenção urinária transitória.

Delirium no perioperatório

delirium é uma complicação frequente no pós- -operatório(18,22). Aproximadamente 30% dos pacientes idosos internados desenvolvem quadro de delirium. As manifestações clínicas principais são:
– Pensamento desorganizado, incoerente. Dificuldade em compreender fatos e reconhecer situações;
– Alteração da percepção em 40% (ilusões, alucinações visuais e auditivas);
– Delírio de perseguição 50%;
– Prejuízo da memória de fixação e evocação;
– Atenção diminuída;
– Atividade psicomotora – hiper ou hipo.

O tratamento do delirium está baseado em dois objetivos simultâneos: manejo das alterações de comportamento; buscar ativamente e tratar fatores desencadeantes. Haloperidol em baixas doses (0,5 a 1,0mg via oral, endovenoso ou intramuscular) pode ser usado no controle da agitação ou sintomas psicóticos, mas, raramente, pode induzir a sedação e hipotensão. O início de ação é de 30 a 60 minutos após administração parenteral.

Estratégias de prevenção do delirium caracterizando e minimizando os fatores de risco são efetivas. Recomenda- se a utilização rotineira de oxigenoterapia (2l/ min) nas primeiras 48 horas no pós-operatório, mesmo quando o indivíduo não apresenta sinais de dispneia ou descompensação respiratória. Os neurolépticos atípicos tais como a risperidona e a olanzapina apresentam menores efeitos adversos e mostram eficácia semelhante à do haloperidol em estudos retrospectivos, mas não estão estudados no período perioperatório.

Alterações nutricionais

Sabe-se que a desnutrição é um sério problema nos pacientes idosos que necessitam submeter-se a artroplastias, particularmente as secundárias às fraturas de quadril. O quadro nutricional pobre entre este perfil de paciente pode advir de inúmeros fatores, entre eles: alterações na fisiologia gastrintestinal, medicações, condições clínicas crônicas, diminuição do apetite, das atividades físicas e da massa magra do organismo, doenças crônicas no fígado e rins, câncer e cirurgias.

O estado nutricional de pacientes idosos interfere na recuperação pós-operatória e os bem nutridos têm uma reabilitação clínica melhor e mais rápida. Carência proteica causa aumento do número de infecções, úlceras de decúbito, fraqueza muscular, função respiratória ruim, hipertrofia do miocárdio e morte. Baixos níveis de albumina são associados à alta morbidade e mortalidade, longos períodos de internação readmissões.

Recomendam-se os indicadores bioquímicos de desnutrição: anemia, deficiência de vitaminas, baixos níveis de pré-albumina, albumina, transferrina, colesterol e baixa contagem de linfócitos. Três destas variáveis têm comprovado sua relevância clínica como fatores prognósticos: albumina < 3,5mg/dL, linfócitos < 1.800mm3 e perda de peso involuntária > 10%. A albumina sérica no pré-operatório é um forte preditor de complicações nos primeiros 30 dias de pós-operatório.

O suporte nutricional no pré-operatório é benéfico nestes pacientes, reduzindo significativamente a mortalidade e as complicações cirúrgicas. Recomenda-se o uso de suplementos enterais por via oral que podem colaborar para melhorar o aporte calórico proteico.

Infecções

As infecções encontram-se entre as principais causas de morte entre a população idosa. Seu diagnóstico precoce é essencial, de vez que a morbidade e a mortalidade representam significativo papel nestes quadros. A atipia de algumas de suas manifestações constitui um desafio à parte. Sabe-se que apenas 60% dos idosos com quadro infeccioso grave desenvolvem leucocitose; nesta mesma vertente, a resposta febril é débil e temperaturas superiores a 38,3º podem indicar infecções graves. Por outro lado, manifestações cognitivas podem estar presentes em 50% dos idosos com infecção, particularmente os casos de delirium. São frequentes as pneumonias, as infecções urinárias e de pele.

O controle da glicemia, em pacientes diabéticos, também se apresenta com importância, sendo a razão de risco para infecção transoperatória acima de 3 em pacientes que apresentem glicemias de jejum superiores a 300mg%.

Tempo de espera para a intervenção

Em pacientes idosos, muitas vezes as múltiplas afecções coexistentes e a fragilidade presente nos pacientes podem levar a equipe cirúrgica e anestésica a protelar a intervenção cirúrgica.

O controle dos fatores de risco e a programação da intervenção nas melhores condições técnicas possíveis são altamente desejáveis na redução do risco destes pacientes, mas tal tipo de procedimento em afecções agudas, como é o caso de uma fratura de quadril em paciente frágil, muitas vezes não é possível e nem desejável.

A suspensão ou a postergação de uma intervenção cirúrgica de urgência não elimina do paciente o risco da intervenção, mas, sim, incorpora ao seu risco, o risco inerente à não intervenção ou à própria postergação. A demora maior do que 48 horas para a intervenção cirúrgica em paciente com fratura de quadril aumenta o risco de complicações e corresponde à significativa diminuição de sobrevida em um ano. Ressalta-se a importância de uma avaliação e um preparo rápido destes pacientes para que se evitem os riscos inerentes à demora na intervenção e que incorporam, entre outras consequências da imobilidade prolongada, a atrofia muscular, as úlceras de decúbito, a osteopenia, as pneumonias, a sepse urinária, o tromboembolismo pulmonar, a embolização gordurosa e a institucionalização.

A atenção a pacientes idosos submetidos à cirurgia ortopédica, particularmente os que necessitam de cirurgia de urgência, deve levar em conta a análise da capacidade física e de riscos específicos dos indivíduos idosos, na tentativa de reduzir riscos que, no entanto, permanecem elevados neste grupo.

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