Impacto Femoroacetabular

impacto femoroacetabular

O impacto femoroacetabular é uma síndrome em que choques da cabeça do fêmur contra o encaixe no osso do quadril provocam desgaste na articulação e causam dores.

Existem basicamente três tipos de impacto: Cam , Pincer e Misto

O impacto tipo Cam ocorre secundariamente à alteração na transição entre o colo e a cabeça do fêmur. Existe uma espécie de “lombada” ou “calo” na região que colide contra a margem da articulação em determinados movimentos. Este impacto leva a lesão labral e mais tarde ao descolamento da cartilagem do acetábulo.

Esta deformidade geralmente surge durante a adolescência em decorrência de um pequeno escorregamento na cartilagem de crescimento da cabeça femoral (chamado epifisiolistese ou epifisiólise), que pode ser totalmente assintomático em alguns casos, gerando sintomas somente anos ou décadas após seu estabelecimento.

No impacto do tipo Pincer a alteração está no lado acetabular. Normalmente há um excesso de cobertura ou um “erro de rotação” na pelve. Ocorre impacto da margem do acetábulo diretamente no colo femoral. Ocorre na evolução uma lesão labral que pode calcificar-se (aumentando ainda mais o excesso de cobertura) e uma lesão cartilaginosa secundária.

O impacto do tipo Misto é o mais comum. Está presente em 80% dos casos de impacto e reúne algumas características dos dois anteriores (Cam e Pincer) em graus variados.

Sintomas

  • Dor na coxa irradiada para dentro da perna ou joelho
  • Travamento da musculatura ao sentar, levantar, entrar e sair de carros e utilizar escadas
  • Redução da flexão ao caminhar, calçar sapatos etc.
  • Dores esporádicas ou contínuas, em queimação ou fisgadas, ou residuais após sobrecargas

Impacto, labrum e artrose

O  quadril  é capaz de sustentar até dez vezes todo o peso do nosso corpo e apresenta grande amplitude de movimento multidirecional. Portanto, não passa de mito a afirmação de que a corrida trabalha contra a sua função.

Qualquer anomalia nessa estrutura, porém, compromete todo o conjunto, prejudicando a articulação. As lesões podem ser congênitas (ou seja, a pessoa porta ao nascer) ou adquiridas (por repetição, traumas ou desgaste acelerado) e se caracterizam por um encaixe imperfeito dos ossos, que provoca atrito entre eles e provoca lesão na cartilagem e no labrum (cartilagem que aumenta a superfície articular e contem o líquido sinovial) e causa danos irreversíveis à articulação. Em longo prazo, a degeneração evolui para artrose do quadril.

O diagnóstico é relativamente recente e recebeu o nome de Síndrome de Impacto Femoroacetabular, com incidência em 10% da população e 70% em esportistas. Também é responsável por 50% a 80% de todos os casos de artrose de quadril.

impacto femoroacetabular

Como diagnosticar o impacto fêmoro-acetabular ou a lesão labral?

Através da consulta médica e do exame físico colhemos dados que permitem chegar a uma elevada suspeita da existência destas lesões.

Geralmente solicitamos alguns exames complementares que permitem confirmar o diagnóstico e estadiar a lesão. De acordo com a avaliação inicial podem ser indicadas radiografias e ressonância para diagnóstico e planejamento de tratamento.

artroscopia de quadril

Tratamento para o impacto fêmoro-acetabular

Inicialmente indicamos medicações para alívio da dor, mudança de atividade física e fisioterapia.

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A maioria dos casos melhora com o tratamento não cirúrgico, mas pode ser necessária uma mudança mais definitiva nos hábitos de vida.

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Nos casos em que não há  resolução após o tratamento conservador indica-se a cirurgia para abordagem da lesão anatômica do labrum ou cartilagem e para correção da deformidade óssea que ocasionou a lesão.

O tratamento destas lesões iniciou-se com cirurgia convencional, aberta. Na última década houve uma grande evolução da cirurgia artroscópica (por vídeo) no tratamento destas lesões.

Hoje podemos tratar esta patologia cirurgicamente usando incisões de cerca de um centímetro cada, ressecando ou reparando as lesões encontradas através de pequenas cânulas e uma micro-câmera de vídeo.

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Cada caso deve ser analisado em detalhes pois a artroscopia apresenta algumas limitações técnicas. Sem dúvida alguns casos ainda são melhor tratados pela técnica cirúrgica convencional. Cada técnica tem a sua melhor indicação.

Obviamente toda cirurgia apresenta riscos. Os prós e contras devem ser ponderados e esclarecidos junto ao cirurgião antes de se tomar qualquer decisão sobre o tratamento.

Retorno aos esportes

  • Após fortalecimento muscular nas coxas e no quadril
  • Com o retorno total da amplitude nos movimentos
  • Na ausência total de dores
  • Após a restauração das funções do quadril em sustentar peso e os movimentos do corpo
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