luxação da patela em crianças

Entenda a luxação da patela em crianças

É uma lesão grave que impacta a vida de muitas criança, a luxação da patela, que é o deslocamento da rótula para o lado de fora do joelho, é um problema relativamente comum e que impacta a vida de crianças e adolescentes de diversas maneiras:

  • Elas não sentem segurança no joelho, e muitas vezes deixam de realizar atividades físicas (que são essenciais nesta idade) com medo de que o joelho venha a se deslocar.
  • Cada vez que a patela sai do lugar, há o risco de lesões na cartilagem que reveste a patela, podendo comprometer a saúde da articulação de forma mais definitiva.
  • A falta de atividade física, associada às lesões recorrentes, faz com que a criança passe a apresentar dor, em alguns casos bastante incapacitante.

Uma vez que a patela tenha saído do lugar, as estruturas que a estabilizam se rompem, e existe grande probabilidade de que isso passe a ocorrer de forma recorrente, às vezes em pessoas tão jovens como 12, 13 anos de idade. A primeira vez que a patela sai do lugar, o risco de isso voltar a acontecer é de aproximadamente 50%. Por isso, após a primeira luxação, é feito o tratamento conservador com imobilização e fisioterapia. Com a segunda luxação, vai para aproximadamente 90% e, a partir da terceira luxação, podemos dizer que novos episódios virão a acontecer em questão de tempo.

Uma vez que o paciente apresente luxação recorrente da patela, a única forma de se corrigir o problema é por meio de cirurgia. A fisioterapia pode até contribuir para a melhora temporária da dor e da função do joelho, mas não a impedirá de se deslocar novamente.

O problema é que, com medo da cirurgia, muitos pacientes vão adiando indefinidamente o procedimento e buscam por tratamentos alternativos que sabidamente não impedirão que a patela volte a se deslocar. A cada nova luxação, a cartilagem vai ficando pior, sendo que as possibilidades de tratamento para as lesões da cartilagem articular são bem mais restritas do que para o tratamento da luxação da patela. O resultado, a longo prazo, acaba sendo comprometido.

técnica luxação da patela em crianças

Técnica diferente em crianças

Tem de fazer a reconstrução do ligamento patelofemoral medial (LPFM) e do ligamento patelotibial medial (LPTM).

Inúmeras técnicas cirúrgicas foram descritas na literatura para a reconstrução do LPFM, com resultados clínicos favoráveis. Além do LPFM, os ligamentos que contribuem para a restrição medial da patela são o ligamento patelotibial medial e o patelomeniscal medial. Esses últimos contribuem para a restrição da patela em ângulos acima de 30de flexão do joelho. A contribuição do LPTM aumenta de 26% em extensão para 46% em 90de flexão. Além de contribuir contra a luxação da patela, o LPTM influencia nos movimentos de inclinação e rotação. Com isso, a reconstrução do LPTM combinada com o LPFM se faz importante para manter a cinemática normal da articulação patelofemoral em todo o arco de movimento.

instabilidade patelar na síndrome de Down

Instabilidade patelar na Síndrome de Down

Muitas vezes, o exame físico dos joelhos da criança com síndrome de Down é negligenciado nas avaliações médicas. Porém, a articulação femoropatelar (formada pela patela e pelo fêmur) deve ser examinada clinicamente, pois frequentemente apresenta instabilidade.

Esta condição instável ocorre quando a patela (osso frontal do joelho) sai e volta para sua posição habitual durante a movimentação do joelho. Esta instabilidade patelar é a principal patologia dos joelhos na Síndrome de Down.

Fatores que predispõe a instabilidade

– Frouxidão ligamentar;
– Hipotonia muscular;
– Hipermobilidade articular.

Não são todas as crianças com Síndrome de Down que tem a instabilidade patelar. As alterações anatômicas associadas são os fatores secundários que, quando presentes, fazem com que a patela fique instável:

– Deformidade em valgo acentuado dos joelhos (batendo um contra o outro durante a marcha);
– Inserção lateral anômala do tendão patelar (esse é o tendão, abaixo da patela que, normalmente fica inserido na frente e no centro da tíbia);
– Desvio rotacional femoral e/ou tibial.

As alterações musculares relacionadas à síndrome de Down podem ser responsáveis pela retração do quadríceps, o que causaria patela alta, mesmo em indivíduos que não apresentam instabilidade femoropatelar. A altura da patela não é um índicador confiável para instabilidade patelar em pacientes com síndrome de Down, enquanto o ângulo de congruência patelar é relevante entre esses pacientes, assim como o ângulo do sulco, que foi encontrado alterado apenas em joelhos instáveis. Acreditamos que a ausência da patela na tróclea femoral inibiu a formação do sulco troclear. Isso é sugerido a partir da observação de pacientes sem instabilidade que apresentavam síndrome de Down e exibiam profundidades normais da tróclea. A presença da patela alinhada no sulco troclear pode ser determinante na sua profundidade e forma normal.

Como é feito o procedimento de estabilização articular?

Instabilidade patelar é uma patologia de tratamento cirúrgico ortopédico pois o tratamento conservador não oferece resultados satisfatórios em estabilizar a articulação.

Tentativas no uso de órteses estabilizadoras da patela e fisioterapia, de forma isolada, não permitem que a articulação fique estável.

A cirurgia visa reequilibrar as forças musculares que atuam na patela.

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