Painel Fóruns Orientações terapêuticas Síndrome da deficiência energética

Este tópico contém 0 resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  Dr. Márcio Silveira 29/12/2018 at 18:22.

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    A busca de um rendimento esportivo cada vez mais alto, aliado um corpo perfeito tem levado muitos atletas e esportistas a uma síndrome recentemente descrita no último consenso mundial do comitê Olímpico em 2016, denominada síndrome RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport) ou síndrome de deficiência energética relativa no esporte.

    No ano de 2005 o mesmo comitê publicou em consenso denominado tríade da mulher atleta, que classicamente abrangia distúrbios menstruais osteopenia e distúrbios alimentares. De lá para cá, com melhor entendimento do funcionamento do corpo humano aos altos volumes de treinamento e adequação alimentar para o fornecimento de substrato energético para o esporte, fez com que a síndrome outrora relativa exclusiva a mulheres se estendesse também aos homens.


    deficiência energética

    Síndrome da Deficiência Energética

    Baseia-se na inadequação do balanço energético para a modalidade que se pratica, em geral abaixo de 45 Kcal/kg quilo por dia, especialmente nas modalidades de endurance como maratonas.

    Pesquisas mostram que desordens alimentares que incluem anorexia, distorção da imagem corporal e bulimia tem prevalência de 13 a 20% em adolescentes atletas e em 5 a 8% em atletas adultos.

    A baixa ingestão calórico-proteica levaria a alterações hormonais, principalmente do hormônio luteinizante (LH), secretado pela hipófise, levando alterações menstruais, denominadas ‘oligomenorreia” que muitas vezes é considerado normal entre as atletas. Acredita-se também que a quantidade aumentada de endorfina levaria a uma redução do hormônio regulatório do LH e FSH secretado pelo hipotálamo denominado GNRH. Por esse motivo os distúrbios menstruais desta síndrome estão sendo descritos como “amenorreia hipotalâmica”. Alem do LH, outros hormônios como o hormônio do crescimento (GH), IGF1, Grelina e Leptina também se mostraram alterados.

    Portadores da síndrome, aos poucos vão desenvolvendo outras alterações incluindo anemia, fadiga crônica e aumento do risco de infecções, além de alterações no perfil de lipídicos e alteração da função vascular com aumento do risco cardiovascular de infarto e derrame cerebrais.

    A perda da massa óssea total, cujo pico ocorre aos 19 anos em mulheres e aos 21 anos em homens sofre feito catabólico (enfraquecimento), muitas vezes de difícil reversibilidade. Isso leva ao aumento do risco de fraturas de estresse, algumas delas denominadas de alto risco de tratamento cirúrgico em sua grande maioria e podem ter consequências graves a longo prazo, muitas vezes comprometendo definitivamente a carreira promissora em adolescentes.

    Incidência

    Apesar de ter prevalência no sexo feminino, nos homens a categoria esportiva predomina no ciclismo, seguido do atletismo e salto.

    Assim como nas mulheres a baixa ingestão calórico-proteica reduz a taxa de testosterona causando perda muscular e redução da massa óssea.

    Tratamento

    O tratamento envolve adequação da taxa proteico-calórica e das consequências causadas pela síndrome como infecções crônicas e fraturas estresse.

    Uma vez tratados, espera-se regularização menstrual e normalização das taxas de massa óssea dentro de 2 a 6 meses. Muitas vezes a redução ou afastamento do esporte são necessários por determinado período.

    O retorno ao esporte deve ser gradual e acompanhado de perto pelo médico do esporte, dosando-se o volume de treino, prevenindo a recidiva.

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