Instabilidade fêmoro-patelar

A patela ou rótula pode sofrer um deslocamento que denominamos luxação ao se desencaixar da tróclea – uma espécie de trilho na extremidade do fêmur – devido instabilidade fêmoro-patelar.

Os principais fatores predisponentes a esta luxação é o fato de a tróclea ser rasa ou plana e a patela alta, o que facilita o deslocamento da patela. Quando isto ocorre estará presente uma deformidade do joelho até que a patela retorne ao lugar. Os sintomas subsequentes são dor associado com edema no joelho acometido.

Na ocorrência de uma instabilidade femoro-patelar existem fatores predisponentes mais importantes: Patela alta, displasia troclear, ângulo Q aumentado, hiperfrouxidão ligamentar e torção tibial externa. Portanto uma boa avaliação com exame físico e de imagens são estritamente necessários.

Considerações de extrema relevância na identificação de alterações anatômicas para uma eventual luxação patelo – femoral envolve a avaliação dos estabilizadores patelares. Tais como: Geometria articular, os estabilizadores estáticos, sobretudo o ligamento patelofemoral medial e os estabilizadores dinâmicos, com ênfase na musculatura do quadríceps.

Instabilidade fêmoro-patelar

 

Tratamento da Instabilidade fêmoro-patelar

Na maioria dos casos o primeiro episódio de luxação é tratado com redução imediata da patela, porém muitas vezes esta ocorre espontaneamente, devido a manutenção da instabilidade fêmoro-patelar. A seguir realiza- se imobilização da articulação por um período médio de 3 semanas, seguido de reabilitação fisioterápica.

Estes episódios muitas vezes são acompanhados de contusões ósseas, lesões de fragmentos de cartilagem e principalmente da rutura do principal estabilizador da patela, o ligamento patelo-femoral medial. Exames de imagem são adequados para avaliar melhor as lesões decorrentes do trauma.

Nos casos em que a patela se desloque novamente (instabilidade fêmoro-patelar), que chamamos de luxação recidivante, geralmente está indicado o tratamento cirúrgico. Este consiste na reconstrução anatômica do ligamento patelo-femoral medial , associado ou não a outros procedimento de realinhamento patelar. O objetivo da cirurgia é a estabilização patelar, para retorno as atividades de vida diária e prática esportiva.

Como é feito o Tratamento Cirúrgico? Na falha do tratamento conservador e nas luxações crônicas, a cirurgia é bem indicada. O procedimento vai depender muito da causa da instabilidade. Existem muitas técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas, inclusive combinadas. Dentre as opções, podemos citar:

  • Reconstrução do Ligamento Patelofemoral Medial: como dito acima, esse ligamento é uma dos principais estabilizadores mediais da patela. Nessa cirurgia, é retirado um enxerto (geralmente um tendão flexor) e utilizado para reconstruir o Patelofemoral, fixando o enxerto na patela e no fêmur;
  • Transferências da tuberosidade tibial: O objetivo é reduzir a TAGT anormal (acima de 20 mm) para cerca de 10 e 15 mm. Uma osteotomia (corte no osso) é feita na tuberosidade da tíbia (local onde o ligamento patelar se insere) e essa tuberosidade é reposicionada e fixada na tíbia, geralmente com uso de parafusos.

Em quanto tempo retorno às minhas atividades? O retorno vai depender muito da gravidade da instabilidade do paciente. Quando ocorre uma primeira luxação e o tratamento conservador é indicado, é realizada uma imobilização do joelho por cerca de 4 semanas, seguida de reabilitação e retorno às atividades mais “pesadas” em torno de 4 a 6 meses.

Logo após a cirurgia, o paciente já inicia a reabilitação fisioterápica. Quanto mais rápido o paciente recuperar a força e o controle muscular, assim como a amplitude de movimento, mais rápido ocorre o retorno às suas atividades. Geralmente, o paciente utiliza muleta por 5 semanas, seguindo na reabilitação. Em média (alguns pacientes demoram mais), a corrida é possível em 3 meses e o retorno aos esportes, em 5 a 6 meses.

 

Sobre o Dr. Márcio Silveira, especista em joelho, ortopedia do idoso e traumatologia esportiva em Brasília / DF >
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